Esgoto, lixos, compostos tóxicos |
Conteúdo
Introdução
Saneamento básico
Tipos e quantidades de refugos
Lixo
municipal sólido
Lixos
industriais e materiais perigosos
Efeitos
à saúde humana e ao meio ambiente
Custo de limpeza
Perspectiva
Referências
As atividades humanas deixam
quase sempre algumas marcas no ambiente em volta: a respiração diminui o oxigênio e
aumenta o dióxido de carbono; a alimentação deixa materiais fecais; a higiene retorna
água suja; e atividades domésticas diariamente acumulam lixos sólidos. Todos estes
lixos e refugos precisam ser processados por sistemas artificiais ou naturais, para
retornarem ao estado ou materiais anteriores para que o equilíbrio da natureza seja
mantido na escala humana de tempo. Nos últimos séculos aumentaram as taxas de produção
de refugos e do distúrbio de ecossistemas devido ao aumento explosivo da população
humana e do consumo material. Os sistemas naturais de processamento estão
sobrecarregados, os sistemas artificiais não estão sendo adequados e o equilíbrio da
natureza está sendo perturbado. Esta página mostra alguns fatos sobre o problema dos
esgotos, lixos e compostos tóxicos.
Há diversos tipos de refugos, tais como
esgotos e lixos domésticos familiares para todos, entulhos de construção e demolição,
rejeitos industriais que a maioria das pessoas não vê, entulhos de mineração longe das
cidades, compostos tóxicos que pessoas usam e jogam fora sem prestar muita atenção,
metais pesados despejados por indústrias e até lixos espacial e nuclear.
O processamento de muitos destes refugos
está além da capacidade da natureza, ou em quantidade ou em características. Materiais
fecais de animais selvagens e restos mortais de animais e plantas são reciclados para a
renovação da vida: a natureza desenvolveu mecanismos e espécies para processar e
utilizar estes materiais e manter o equilíbrio. Mas os esgotos humanos, especialmente de
grandes cidades, são de enormes quantidades concentrados para serem tratados
naturalmente. A utilização de sistema de esgoto é antiga: os Romanos já tiveram canais
para remover materiais fecais humanos para fora das cidades. Porém, sistema de tratamento
de esgotos é relativamente recente. No início do século vinte algumas cidades dos
Estados Unidos começaram construir estações de tratamento de esgotos mas este movimento
foi bem limitado até meados do século, quando o governo americano promoveu pesquisa,
treinamento de pessoal e construção de estações [1]. Lixos domésticos, como restos de
comida, roupas usadas, papéis e móveis, são de materiais biodegradáveis mas a
quantidade é tão grande que não podem ser processados naturalmente. Outros refugos como
automóveis, pneus, produtos de plásticos e compostos tóxicos artificiais são de
materiais para os quais não há sistemas de processamento na natureza. Os refugos
acumulados precisam de espaço físico para disposição e são ameaças para a saúde
humana.
Está aumentando a conscientização dos
problemas e há movimentos para reciclar os materiais jogados fora, reduzir a taxa de
produção de refugos, processar os esgotos municipais e minimizar os efeitos negativos
dos lixos de sociedades industrializadas. Porém são fortes os desejos de consumir novos
produtos e de jogar fora e esquecer os materiais usados. Os custos financeiros de
infra-estruturas de processamento e de sua operação e manutenção são altos, os
requisitos tecnológicos não são desprezíveis para alguns materiais e para outros não
há maneira prática de controle ou processamento.
Saneamento básico
A água é
essencial para a vida humana mas é também uma incubadora e transmissora
de agentes de doenças. Em conseqüência, uma das condições
básicas de vida, além do fornecimento de água potável,
é a remoção de materiais fecais para fora da esfera de
atividades do dia a dia, para que os microorganismos que proliferam no esgoto
não entrem na água consumida ou em contato direto com pessoas.
Hoje no Brasil, a maioria dos moradores nas cidades usufrui os sistemas básicos
de água e esgoto como uma ordem natural mas a prevalência destes
sistemas é uma realização relativamente recente e ainda
não é para todos, como pode ser visto nas favelas. Mundialmente
milhões de pessoas sofrem de falta de água potável e de
sistemas de saneamento básico (Água
Doce). A prevalência de sistemas de tratamento de esgoto é
ainda menor, sendo que uma parte da água suja é despejada diretamente
nos rios e mares. As situações nos Estados Unidos, relatadas na
Ref. [2], são seguintes. Em 1968, com a população de 200,7
milhões, 140,1 milhões de pessoas (69,8%) foram servidas por sistemas
públicos de tratamento de esgoto, dos quais 61% eram de tratamento secundário
ou melhor. Em 1996, com a população de 265,2 milhões, estes
números aumentaram para 189,7 milhões de pessoas servidos (71,5%)
e 91% dos sistemas com tratamento secundário ou melhor. No Brasil, a
proporção de crianças de 0 a 6 anos que vivem em domicílios
com saneamento não adequado caiu de 66,2% em 1991 para 54,4% em 2000
[3]. A Ref. [4] mostra números de distritos com coleta de esgoto sanitário,
com ou sem tratamento, e tipos de corpo receptor em 2000, embora não
inclua detalhes como população, quantidade e grau de tratamento.
O número total de distritos é 4097, sendo 1383 (34%) com tratamento
e 2714 (66%) sem tratamento. O tipo de corpo receptor mais usado é rio,
1111 casos com tratamento (80%) e 2295 casos sem tratamento (85%). Outros receptores
incluem lago, lagoa, mar e baia.
Uma indicação da quantidade de água suja
emitida como esgoto pode ser obtida nos seguintes números. No Reino Unido mais de um
milhão de metros cúbicos por dia (Mm3/d) de esgoto sem tratamento ou
parcialmente tratado são despejados no mar [5]. Segundo Ref. [6] de 2000, 60% da
população dos Estados Unidos geram 53 Mm3/d de água suja, 10% da qual
despejados sem tratamento.
O tratamento da água suja de esgoto envolve
diversas etapas [1, 6]. No pré-tratamento, primeiramente grandes materiais sólidos são
removidos por telas e em seguida são removidos areias e outros materiais duros que podem
danificar equipamentos. No tratamento primário, materiais que flutuam ou assentam são
removidos num tanque de sedimentação. Este tratamento remove cerca de um terço dos
materiais orgânicos e praticamente nenhum dos minerais dissolvidos. No tratamento
secundário, oxigênio é injetado para que microorganismos aeróbicos transformem os
materiais orgânicos em formas inertes como dióxido de carbono. Nos tratamentos primário
e secundário 85-90% dos materiais orgânicos são removidos mas a maioria do nitrogênio
e fósforo, que são nutrientes e causam a eutroficação, permanece na água que sai do
tratamento secundário. Para remover estes materiais, tratamento terciário (ou avançado)
é usado em algumas estações de tratamento. Finalmente, para remover microorganismos
patogênicos, a água é tratada com cloro. As lamas que saem dos tratamentos primário e
secundário são tratadas para remover a água até atingir 20-30% sólida e podem ser
queimadas, aterradas ou usadas como adubo.
Tipos e quantidades de refugos
Refugos foram produzidos em
todas as atividades humanas, como vida diária de pessoas, comércio e indústria, desde
antigamente. Porém, a industrialização nos últimos séculos, a crescente população,
a civilização baseada no capitalismo com intenso consumo, e a globalização do
comércio aumentaram a taxa de produção de refugos no mundo inteiro. A produção de
produtos de consumo, principalmente nos países industrializados, precisa de matérias
primas como minérios, madeira e combustíveis fósseis, cuja produção é acompanhada de
enormes quantidades de rejeitos, muitas vezes em países subdesenvolvidos. O comércio que
promove intensos consumos utiliza grandes quantidades de materiais promocionais e de
embalagem, como papel e plástico, que tornam se, eventualmente, lixos municipais. As
indústrias químicas produzem novos compostos, inclusive os tóxicos, e utilizam metais
pesados que permanecem no meio ambiente por longo tempo. Atividades aparentemente benignas
e conveniências de dia-a-dia, como o uso de automóveis e diversos produtos
descartáveis, contribuem ao aumento de danos ambientais e refugos.
Lixos municipais sólidos são da categoria de
refugo mais familiar para a maioria das pessoas. Segundo IBGE [7], 228 mil toneladas de
lixos são coletadas diariamente no Brasil (1,3 kg per capita por dia), das quais 37% são
depositados em aterro controlado, 36% em aterro sanitário e 21% em lixão. O restante,
somente 6%, é tratado em estações de decomposição, triagem, incineração e outros
meios. Nos Estados Unidos 225 milhões de toneladas são gerados por ano (2,2 kg per
capita por dia) [8]. Um terço é reciclado ou utilizado em decomposição. A maioria do
restante é usada para geração de energia elétrica ou aterrada. Atualmente (a
referência é de 2001) 102 usinas elétricas operam em 31 estados, queimando 30 milhões
de toneladas de lixos municipais anualmente e gerando 2.800 MW de energia elétrica,
suficiente para suprir 2,5 milhões de famílias.
A Ref. [9] cita alguns números sobre a
composição de refugos. Nos Estados Unidos são descartados por ano 1,6 milhões de
toneladas (Mt) de carpetes, 2,7 Mt de poliestireno, 13 Mt de alimentos, 183 milhões de
barbeadores, 2,7 bilhões de baterias, 350 milhões de latas pressurizadas de tinta, 136
Mt de químicos orgânicos e inorgânicos usados em manufatura e processamento, e 320 Mt
de rejeitos perigosos produzidos na produção de compostos químicos. Na extração de
gás, carvão, petróleo e minérios são produzidos 1500 Mt de rejeitos. No Reino Unido
2,5 bilhões de fraldas são descartadas e no Japão 30 milhões de máquinas
fotográficas descartáveis são usadas por ano.
Lixo municipal sólido
Cada dia todas as pessoas jogam fora
algumas coisas, contribuindo ao mais de 80 milhões de toneladas de lixos municipais
coletados anualmente no Brasil. O lixo municipal sólido (LMS) compõe se de inúmeras
coisas de uso diário tais como materiais de embalagem, móveis, roupas, comidas,
garrafas, jornais, revistas, baterias e latas. A Ref. [10] mostra a composição do LMS
americano: 37,4% papel, 12,0% gramas cortadas de jardim, 11,2% comida, 10,7% plásticos,
7,8% metais, 6,7% borracha, couro e têxteis, 5,5% vidro, 5,5% madeira, e 3,2% outros. No
Brasil a maioria do LMS é aterrada, como descrito anteriormente. A quantidade é enorme e
a taxa de produção do LMS está aumentando mundialmente. Em alguns países está sendo
difícil achar lugares adequados para o aterro municipal. Para a cidade de Nova York o
único sítio de aterro na Ilha Staten foi fechado em 2001 e o LMS está sendo enviado
para outros locais, até em outros estados. A Ref.[11] mostra as quantidades de LMS
importado e exportado entre os estados americanos em 1997. Muitos estados importam e
exportam o LMS mas diversos estados são importadores ou exportadores líquidos de grandes
quantidades. O estado de Nova York é o maior exportador com mais de 3,6 Mt de
exportação liquida (159.000 toneladas importadas). Outros exportadores principais, com
entre 1,83 e 1,49 Mt líquidas, são Maryland, New Jersey, Missouri e Illinois. O maior
importador é o Pennsylvania (6,04 Mt), seguido pela Virginia (2,7) e Michigan (1,6).
O problema do LMS está sendo tratado por
diversas maneiras: redução de fonte, reciclagem, decomposição, aterro e incineração
[10]. A redução de fonte refere se a mudanças em projeto, processos de fabricação,
comercialização e uso dos produtos para reduzir os materiais usados, inclusive
embalagens, e as toxicidades envolvidas. A reutilização de produtos é uma parte da
redução de fonte. Além da redução de volume e toxicidade dos rejeitos, a redução de
fonte diminui o uso de recursos naturais, a poluição e o custo direto de coleta e
tratamento do LMS. Nos Estados Unidos, em 1999, 50 Mt de LMS foram evitados por esta
prática. A reciclagem converte materiais que seriam jogados fora em recursos valiosos,
com benefícios ambientais, financeiros e sociais, como no caso de reutilização. Podem
ser reciclados diversos materiais, como latas de alumínio, garrafas de plástico, metais
e papel. Nos Estados Unidos, 28% do LMS foram reciclados. Os materiais de maiores taxas de
reciclagem incluem baterias de automóveis (96%), latas de aço (57%), latas de alumínio
(55%), papel (45%), garrafas de plástico (35%), vidro (26%) e pneus (26%). Principais
eletrodomésticos também são reciclados à taxa de cerca de 52%.
A decomposição de materiais orgânicos produz
húmus que pode ser usada como adubo e condicionador de terra. Cerca de 25% do LMS
americano são materiais orgânicos e a decomposição destes materiais reduz o volume a
ser aterrado ou queimado. Cerca de 64 Mt de LMS foram tirados de aterro e incineração
pela reciclagem e decomposição nos Estados Unidos.
A incineração era o método principal de
disposição final do LMS no passado. O potencial da incineração para reduzir o LMS é
grande, até 90% em volume e 75% em peso [12]. Além disso a energia da combustão pode
ser utilizada para gerar energia elétrica e para outros propósitos. Em 1999, nos Estados
Unidos, 102 usinas estavam em operação, queimando até 96.000 toneladas de LMS por dia.
Mas a incineração indiscriminada é problemática, devido à emissão de materiais
tóxicos e à poluição, e a separação dos materiais antes da incineração pode tornar
este método economicamente não competitivo, em comparação com outras opções.
Atualmente o método principal é o aterro. Diversos materiais tóxicos podem ser emitidos
da incineração do LMS, alguns já existentes nele e outros produzidos na combustão.
Metais pesados tóxicos como chumbo, cádmio e mercúrio são vaporizados e emitidos no
ar. Compostos tóxicos como dioxinas e furanos são produzidos na combustão incompleta de
materiais como PVC. Em sistemas modernos de alta temperatura materiais tóxicos como
inseticidas podem ser decompostos em materiais inofensivos mas combustão incompleta pode
emitir estes materiais. As cinzas podem conter elementos tóxicos. A incineração
combinada com a geração elétrica é um ótimo método de disposição final do LMS mas
exige certo grau de maturidade tecnológica e infra-estruturas adequadas, como separação
de materiais e combustão completa em alta temperatura.
O aterro é o principal método atual de
disposição final do LMS em muitos países. No Brasil, 94% dos mais de 80 milhões de
toneladas de LMS produzidos anualmente são aterrados. Nos Estados Unidos a taxa de aterro
é cerca de 55% [12]. Há diversos problemas relacionados ao aterro, tais como cheiro,
proliferação de animais e aves, escape de líquidos que podem contaminar a água no
subsolo, poluição atmosférica, difusão de materiais tóxicos, proliferação e
difusão de microorganismos que ameaçam a saúde humana e emissão do gás metano que é
um gás do efeito estufa. Além destes problemas, há a dificuldade de encontrar lugares
adequados, por diversas razões, tais como objeção dos moradores em volta dos locais
propostos, proximidade de fonte de água e geologia inadequada. Inicialmente o aterro era
simplesmente um lugar determinado para depositar o LMS, sem preparação, controle ou
cobertura. Porém, há algumas décadas, o aterro de LMS em países desenvolvidos é um
programa elaborado incluindo preparação do sítio para a contenção, cobertura diária
por terra, coleta de gases e líquidos e plano para a reutilização da superfície após
o fechamento do sítio. O gás metano é queimado no local ou utilizado como combustível,
principalmente para a geração de energia elétrica.
Lixos industriais e materiais perigosos
A vida humana foi sempre ameaçada por materiais
tóxicos existentes naturalmente no meio ambiente, como arsênio, metais pesados e
compostos tóxicos emitidos na combustão de lenhas. Porém, estes perigos aumentaram nas
sociedades industrializadas devido à extração de minérios e combustíveis fósseis em
enormes quantidades e ao uso em larga escala de compostos tóxicos que permanecem no meio
ambiente por longo período de tempo, tais como agrotóxicos, reagentes industriais e
diversos materiais utilizados na vida diária de pessoas. A Ref.[13], junto com paginas
relacionadas, lista 275 substâncias ou classes de substâncias perigosas, junto com
descrições de características e efeitos à saúde humana de cada material. Materiais
classificados perigosos incluem materiais bem familiares de uso diário, tais como
baterias, óleo de carros, inseticidas e tintas. Os vinte mais perigosos incluem materiais
familiares como arsênio, chumbo, mercúrio, cádmio, cloreto de vinil, PCBs, benzeno,
clorofórmio e DDT e outros menos conhecidos como dieldrina e PAHs.
Segundo Ref.[14], cerca de 3 milhões de
toneladas (Mt) de lixos perigosos são produzidos anualmente no Brasil, sendo que apenas
22% são tratados de forma adequada e 78% são depositados nas próprias indústrias ou
jogados em lixões. Segundo Ref.[12] com dados de 1996, 253 Mt de lixos perigosos foram
produzidos anualmente nos Estados Unidos, 96% dos quais sendo água contaminada em
processos industriais. A quantidade e composição dos lixos variam aparentemente de um
ano para outro, devido à mudança de tecnologias e outros fatores. A seguir é mostrada
grosseiramente a composição dos lixos perigosos nos Estados Unidos, segundo Ref.[15]. Os
lixos perigosos são considerados em três classes: característico, somente listado e
misto. Os lixos característicos contêm quatro tipos: inflamável, corrosivo, reativo e
tóxico. Os listados são classificados por quatro códigos (F, K, P, U) pela EPA (agencia
de proteção ambiental dos Estados Unidos). O código F cobre lixos genéricos como lama
de tratamento de água usada em processos industriais, solventes e lixos que contêm
dioxinas. O tipo K cobre lixos oriundos de indústrias específicas identificadas, tais
como refinarias de petróleo e produtores de químicos orgânicos, e inclui lamas, água
contaminada, catalisadores e resíduos. Os tipos U e P cobrem produtos químicos
comerciais e químicos intermediários de processos de manufatura, incluindo materiais
como clorofórmio, ácidos e pesticidas. O tipo U inclui químicos tóxicos mas o tipo P
é reservado para químicos altamente tóxicos. As proporções aproximadas das quatro
classes (nos Estados Unidos, dados de 1995) são: lixos característicos 60%, somente
listados 28% e característicos e listados misturados 12%.
O tratamento e a disposição destes lixos
empregam diversos métodos. Como mencionado anteriormente, mais de 90% dos lixos são de
forma de água contaminada. Segundo Ref.[15] os tipos de gerenciamento e as quantidades de
lixos perigosos tratados nos Estados Unidos em 1995 são seguintes. A quantidade total
gerenciada é 189 milhões de toneladas. A maioria (73%) foi gerenciada em tratamentos
aquosos, sendo tratamento orgânico 77%, orgânico-inorgânico 18% e inorgânico 5%.
Disposição na terra foi usada para 12,3% dos lixos gerenciados, dos quais a maioria
injetada em poços profundos ou lençóis freáticos (94%), seguido por aterro e
armazenamento em lagos. Outros métodos incluem incineração e uso como combustível
(3%), recuperação (1,8%) e outros (9%).
Efeitos à saúde
humana e ao meio ambiente
São sumariados os efeitos adversos à
saúde humana e à biosfera em geral de alguns dos principais elementos e compostos
perigosos. A Ref.[16] lista 185 elementos e compostos perigosos junto com descrições de
suas características e seus efeitos à saúde humana. As substâncias tratadas a seguir
são entre as vinte mais perigosas.
Arsênio. Arsênio é um elemento que ocorre naturalmente e é
distribuído largamente na crosta terrestre. Na terra o arsênio combina com oxigênio,
cloro e enxofre, formando compostos inorgânicos. Em animais e plantas o arsênio combina
com carbono e hidrogênio e forma compostos orgânicos. Compostos inorgânicos são usados
principalmente para a preservação de madeira. Compostos orgânicos são usados como
pesticidas. Muitos dos compostos de arsênio dissolvem na água e podem existir no ar, na
água, em alimentos e poeiras. Em alguns locais a água de poços contém altas
concentrações de arsênio devido a sua existência nas rochas. Ingestão ou respiração
de arsênio inorgânico em baixas concentrações pode irritar garganta e pulmão.
Ingestão de grandes quantidades pode levar à morte. Ingestão ou respiração durante
longos períodos, como o uso de água de poço contaminado, pode levar a surgimento de
berrugas nas peles. Compostos orgânicos são menos tóxicos mas em altas concentrações
podem ter mesmos efeitos.
Chumbo. Chumbo é um metal familiar para a maioria das pessoas e é usado em
diversos produtos como baterias de carros, balas de armas de fogo, protetor contra raio X,
chumbinho de pesca, gasolina, tinta, solda e produtos de metal. O chumbo pode existir no
ar, na água, em comidas, na terra e no pó. O chumbo pode afetar todos os órgãos do
corpo mas o sistema nervoso central é o mais sensível, especialmente em crianças. Em
altos níveis o chumbo pode enfraquecer dedos e outras partes do corpo, afetar memória,
causar anemia, desordenar o sangue e afeta o sistema de reprodução do homem. Em
crianças o cérebro pode ser danificado e o crescimento mental e físico pode ser
retardado.
Mercúrio. Mercúrio também é um metal familiar para todos na forma de
termômetro. O mercúrio é líquido à temperatura ambiental e torna se gás quando
aquecido. O mercúrio combina com outros elementos como oxigênio, cloro e enxofre,
formando compostos inorgânicos. Combinado com carbono, forma compostos orgânicos como
mercúrio metílico produzido por microorganismos na água e no solo. O mercúrio
inorgânico é emitido no ar em mineração, na combustão de combustíveis fósseis e
lixos, de fábricas industriais, de depósitos naturais no solo, de aterros de lixos e de
vulcões. O mercúrio metílico é acumulado nos tecidos de peixes. O sistema nervoso é
altamente sensível a todas as formas de mercúrio. O mercúrio metálico e mercúrio
metílico são mais tóxicos do que outras formas. Exposição de alto nível pode causar
danos permanentes a cérebro, rins e fetos. Um dos casos mais severos de contaminação
pelo mercúrio ocorreu no Japão na década de 1950. Centenas de toneladas de mercúrio
despejada numa baia entraram na cadeia de alimento e milhares de pessoas sofreram
paralisia e desordem mental.
Cloreto de vinil. Cloreto de vinil é um gás incolor e inflamável à temperatura
ambiental e é usado para a produção de PVC (poli vinil cloreto). PVC é um dos
plásticos mais comuns de uso diário em diversas formas como tubos, revestimento de fios
elétricos, móveis e acabamentos internos de automóveis. Inspiração de altos níveis
de cloreto de vinil pode causar tontura, perda de consciência e até a morte. Pessoas
expostas a cloretos de vinil por longos períodos de tempo têm desenvolvido mudanças nos
rins, nos sistemas nervoso e imunológico e na circulação do sangue nas mãos.
DDT, DDE, DDD. DDT (dichlorodiphenyltrichloroethane) é um dos primeiros
inseticidas orgânicos largamente usados no meio do século passado. DDE e DDD são
produtos contaminadores na produção de DDT. DDE é produzido também na decomposição
do DDT e DDD. O uso do DDT está proibido na maioria dos países, desde 1972 nos Estados
Unidos, mas continua em alguns países. Estes materiais são quebrados rapidamente por
raio solar no ar, metade em dois dias, mas no solo a decomposição é lenta. Eles aderem
fortemente a partículas do solo, não dissolvem facilmente na água e somente pequenas
proporções entram na água no subsolo. DDT é decomposto por microorganismos lentamente
em DDE e DDD: a metade do DDT no solo decompõe em 2-15 anos. DDT e DDE são acumulados
nos tecidos gordurosos de peixe, aves e outros animais. DDT afeta o sistema nervoso e
causa tremores e convulsões. Mulheres com alto grau de DDE no leite podem ter nenês
prematuros e curto período de amamentação. É bem conhecido que, no século passado,
muitas aves tiveram dificuldades na reprodução devido a ovos inférteis ou com cascas
frágeis que quebravam facilmente, provocados por altos níveis de DDT e derivados
acumulados em alimentos.
Aldrina e Dieldrina. Aldrina e dieldrina são inseticidas orgânicos de estruturas
químicas similares, utilizadas em grande escala a partir da década de 1950. Devido a
severos danos à saúde humana e ao meio ambiente, o uso destes materiais foi restrito na
década de 1970 e atualmente está proibido na maioria doa países. Aldrina é
transformada, por raio solar e bactérias, em dieldrina que adere a partículas do solo
onde permanece por longo período. Plantas absorvem e incorporam dieldrina nos seus
tecidos, que podem ser consumidas por animais. Dieldrina é acumulada no tecido gorduroso
de animais por longo período. Exposição a baixos níveis de dieldrina por longo
período de tempo pode causar dor de cabeça, vômito e movimento incontrolado de
músculos. Ingestão de grande quantidade pode causar convulsões e até a morte.
Custo de limpeza
Nas décadas
após a segunda guerra mundial os esforços de reconstrução
e a intensa industrialização baseada em avanços acelerados
da ciência e tecnologia levaram à prosperidade econômica
em diversos países, principalmente na América do Norte e na Europa,
mas ao mesmo tempo o meio ambiente foi usado como um depósito conveniente
de rejeitos de indústrias e de lixos das sociedades que enfatizavam o
consumo material. Nos meados do século problemas do acúmulo de
lixos e materiais tóxicos começaram ser notados, motivando o movimento
para a proteção do meio ambiente. Em 1970 foi criada nos Estados
Unidos uma agência de proteção ambiental (EPA) para proteger
a saúde humana e preservar o meio ambiente. Em outros países também
a conscientização sobre o meio ambiente cresceu e organizações
internacionais, governamentais e não-governamentais foram formadas para
salvar o ecossistema da Terra (Salvando o Ecossistema
e a Civilização Global). Nesta seção são
citados alguns casos que mostram a grandeza dos esforços e do custo necessários.
O Programa de Despoluição do Rio Tietê
(Projeto Tietê) foi lançado em 1992 com o objetivo de acabar com a poluição gerada por
esgotos na região metropolitana de São Paulo e, também, controle da poluição
industrial e dos resíduos sólidos. Na primeira fase a porcentagem de esgotos tratados em
relação aos coletados foi elevada de 20% em 1992 para 60% em 1998 e mais de 1200
indústrias, correspondente a 90% da carga poluidora industrial lançada no Rio Tietê,
aderiram ao Projeto e deixaram de lançar resíduos e todas as espécies de contaminantes
no curso dágua. O custo desta primeira fase foi 1,1 bilhões de dólares
americanos. Na segunda fase os objetivos são a ampliação de ligações domiciliares de
esgoto, otimização do sistema instalado e o controle de emissão dos efluentes de mais
de 290 indústrias. O serviço de coleta de esgotos deve ser estendido a 90% da
população e o tratamento dos esgotos coletados será ampliado para 70%. O investimento
previsto é 400 milhões de dólares [17].
Um outro projeto noticiado freqüentemente é o
Programa de Despoluição da Baia da Guanabara. A bacia contribuinte à Baia da Guanabara
cobre 12 municípios contendo 6000 indústrias, dois portos comerciais, 16 terminais
marítimos de petróleo, cerca de 2000 postos de serviço e 12 estaleiros. As fontes de
poluição incluem esgotos produzidos pela população estimada em 8,5 milhões, da ordem
de 1,5 milhões de toneladas por dia contendo 465 toneladas de carga orgânica, resíduos
sólidos municipais, rejeitos industriais e petróleo. O Programa original é composto de
três fases com um custo total de 3,5 bilhões de dólares. A primeira fase, iniciada em
1994 com o custo planejado de 793 milhões de dólares, inclui cinco componentes:
saneamento, resíduos sólidos, macro-drenagem, mapeamento digital e projetos ambientais
complementares. O maior componente é o saneamento com o custo total de 575,7 milhões de
dólares. No final da primeira fase a taxa de tratamento de esgotos deve atingir 70%. O
Programa, aparentemente, não está progredindo como planejado mas já foi gasto 650
milhões de dólares até novembro de 2002 [18, 19, 20].
A situação nos Estados Unidos é pior,
exigindo maiores esforços e custo. Pesquisas pela EPA mostraram que existiam no país
dezenas de milhares de depósitos abandonados de rejeitos perigosos, ameaçando a saúde
humana e o meio ambiente. Em 1980 foi criado um programa nacional a ser administrado pela
EPA, denominado Superfund, para limpar estes sítios. Em 1981 foi anunciada a primeira
lista de 114 sítios de mais alta prioridade, a serem limpos num programa com a verba de
1,6 bilhões de dólares e 5 anos de duração [21]. Posteriormente cerca de 1400 sítios
foram designados sítios de prioridade nacional. Segundo um relatório governamental de
1999 [22], foram gastos mais de 14 bilhões de dólares mas 838 sítios ainda precisam de
limpeza (em abril de 1999). A verba para o Superfund no ano 2004 é 1,39 bilhões de
dólares [23].
Os efeitos do DDT
e de outros compostos orgânicos tóxicos como aldrina e dieldrina
e os estragos na biosfera causados pelo uso destes materiais em grande escala
estão descritos em detalhe no livro Silent Spring por Rachel Carson,
de 1962, que deu início ao movimento para a proteção ambiental.
Atualmente governos, organizações não governamentais e
indivíduos estão se esforçando para alertar o público
e resolver os problemas que as sociedades modernas causaram. Há inúmeros
sites na WWW sobre o assunto, alguns dos quais estão citados como referências
desta página. A mídia, como TV e revistas, também participa
deste esforço. Um exemplo é a revista americana National Geographic,
que publicou artigos sobre lixos tóxicos [24], poluição
atmosférica [25], população [26] e diversos outros artigos
relacionados ao longo dos anos.
As sociedades industrializadas estão
estruturadas para a produção e o consumo intenso de inúmeros
produtos, inclusive materiais tóxicos para a biosfera, de acordo com
os princípios do capitalismo e, aparentemente, as características
inerentes do homem. Os povos dos países subdesenvolvidos desejam ter
a vida que vêem na TV, nos filmes, nas revistas e na Internet. A produção
e o consumo, acompanhado por refugos, precisam ser aumentados continuamente
seguindo o crescimento da população mundial e para realizar as
aspirações dos povos dos países subdesenvolvidos. Conveniências
imediatas como garrafas e barbeadores descartáveis são irresistíveis
para os consumidores e, conseqüentemente, também para os capitalistas.
A produção de lixos é uma parte integral das sociedades
atuais. Os lixos produzidos por cada pessoa parecem desprezíveis, especialmente
em cidades onde serviços municipais mantêm os lixos fora da vista,
dificultando a percepção do problema pela população
geral. Apesar dos esforços contínuos de organizações
e indivíduos no mundo inteiro, a perspectiva para o futuro não
parece promissora. Em futuro próximo as únicas medidas possíveis
parecem ser os esforços dos governos no controle e tratamento dos lixos
e a continuação dos esforços de conscientização
da população da necessidade de diminuição do consumo
e da produção de lixos, tais como reutilização e
reciclagem. Para o futuro mais distante, soluções mais fundamentais
serão necessárias. O problema de lixos e materiais tóxicos
que continuam acumulando no mundo inteiro é somente um dos problemas
que ameaçam o futuro da civilização global, como os sumariados
nas páginas deste arquivo. A condição mínima para
a continuação da civilização global é o restabelecimento
e a manutenção do equilíbrio do ecossistema global. A humanidade
precisa reconhecer os limites das capacidades do planeta Terra e aprender viver
numa maneira sustentável. As soluções fundamentais incluem
a população humana limitada e constante e consumos materiais compatíveis
com as capacidades reprodutivas do planeta.
| Home |