Povoação da Terra e Conflitos Humanos |
Conteúdo
Introdução
Expansão da povoação
Primeiras civilizações
Civilizações na era cristã
Revolução industrial, urbanização e
aumento da população
Capitalismo e população
Perspectiva
Referências
Ao considerar a história do homem, o ponto de início
pode ser o episódio de grande extinção 65 milhões
de anos atrás, denominada transição K-T (cretáceo-terciário),
no qual os dinossauros foram extintos, deixando nichos livres para mamíferos
prosperarem. Os primeiros mamíferos surgiram durante o período
Triássico, de 230 a 185 milhões de anos atrás, mas o mundo
animal estava sob domínio dos dinossauros e os mamíferos permaneceram
bem limitados no tamanho físico e na diversidade. Antes da transição
K-T o número de famílias reconhecidas de mamíferos era
somente 15 e cinco delas foram extintas na transição. Durante
os próximos 10 milhões de anos o número de famílias
aumentou de 10 para 78 e até 45 milhões de anos atrás todos
os grupos principais de mamíferos existentes hoje já se desenvolveram
basicamente [1]. Atualmente há cerca de 4260 espécies de mamíferos.
Dentro da classe mamífera o gênero homo pertence à ordem
primata que inclui 11 famílias cobrindo gêneros e espécies
como lêmures, macacos, chimpanzés e gorila. Atualmente a família
pongidae inclui quatro gêneros: pongo (orangotango, 1 espécie),
pan (chimpanzé, 2 espécies), gorila (gorila, 1 espécie)
e homo (homem, 1 espécie) [2]. O homem atual, espécie homo sapiens,
é o resultado da evolução dos mamíferos e primatas
ao longo dos milhões de anos. Os primeiros primatas provavelmente desenvolveram-se
até 60 milhões de anos atrás e eram animais similares aos
esquilos de hoje [3]. Macacos evoluíram cerca de 35 milhões de
anos atrás: vários gêneros foram identificados em fósseis.
O grupo de primatas mais próximos ao homem, como gorila e chimpanzés,
denominado apes, evoluiu dos macacos na época mioceno, de 23 a 5 milhões
de anos atrás e no final desta época, entre 5 e 7 milhões
de anos atrás, a linha de hominídeos ancestrais do homo sapiens
separou se dos outros apes africanos [4]. (Há variações
na divisão de épocas geológicas e na classificação
de animais entre referências, por exemplo Ref. [5] e as citadas acima.)
Os conhecimentos e as controvérsias atuais sobre a evolução
humana estão sumariados numa série de artigos na revista National
Geographic [4, 6-12]. Aparentemente há muitas incertezas e continuam
intensas pesquisas mas estudos dos fósseis mostram o seguinte. Cerca
de 2,5 milhões de anos atrás surgiu o gênero homo e foram
descobertos fósseis de diversas espécies que apareceram desde
então antes da evolução do homem atual entre 100 e 200
mil anos atrás: como homo habilis, homo rudolfensis, homo ergaster, homo
erectus, e homo sapiens arcaico como neandertal. Com consenso da maioria dos
cientistas da área é considerado que as espécies do gênero
homo surgiram e evoluíram na África e migraram aos outros continentes.
Fósseis indicam que até 1,8 milhões de anos atrás
hominídeos ocupavam diversas regiões do continente Eurásia.
Há cientistas que acreditam que hominídeos evoluíram em
diversos locais independentemente. Todas as espécies homo, exceto a espécie
homo sapiens, foram extintas dezenas ou centenas de milhares de anos atrás,
sendo a última a neandertal, extinta cerca de 30 mil anos atrás.
A vida destas espécies era basicamente de caça e colheita, como
dos apes de hoje, mas indicações de habilidades de organização
social, uso de ferramentas e vida espiritual foram encontradas em pesquisas
arqueológicas, como caça de grandes animais com lanças
de madeira 400.000 anos atrás e pinturas nas paredes de cavernas e rochas
[8]. As características normalmente associadas com a civilização,
como comunidade urbana, organização política, grandes arquiteturas,
monumentos, rituais religiosos e a escrita, desenvolveram se lentamente. As
primeiras civilizações surgiram-se 5 a 6 mil anos atrás
na mesopotâmia no Oriente Médio e em outros locais.
O surgimento e a evolução da civilização vêm
sendo esclarecidos pela ciência, principalmente arqueologia, e estão
descritos em diversas páginas da Internet, além dos meios mais
tradicionais como livros e revistas. As impressões mais marcantes ao
ler estas páginas são de que a história humana é
repleta de conflitos desde os tempos das primeiras civilizações,
certamente antes delas também, e que muitos dos conflitos, envolvendo
mortes e misérias em grandes escalas, são tratados como acontecimentos
contribuintes ao desenvolvimento da humanidade.
Nesta página são sumariados a evolução da civilização,
a povoação humana da Terra e os conflitos e sofrimentos que fazem
parte constante da história humana.
Idades arqueológicas
A evolução social-tecnológica do homem
é considerada em termos de idades caracterizadas pelos instrumentos usados
e pela base de sustentação. A maior classificação
envolve idade da pedra, idade do bronze e idade do ferro. Na idade da pedra
o uso de metal nas atividades diárias não era conhecido e os instrumentos
eram de pedra, madeira, ossos e chifres de animais. O primeiro metal utilizado
foi o cobre. Posteriormente foi desenvolvido o bronze, uma liga de cobre e estanho.
Cada uma destas idades pode ter classificações mais finas. A idade
da pedra é subdividida em fases paleolítica e neolítica,
sendo que às vezes é usada também uma fase intermediária,
a mesolítica. A idade do bronze pode incluir uma fase de cobre. Os períodos
destas idades variam de um local para outro, dependendo da história de
desenvolvimento de cada região. As datas citadas a seguir referem se
às regiões das primeiras civilizações, principalmente
Mesopotâmia. A fase paleolítica caracterizada por instrumentos
de pedra talhada estende até cerca de 10.000 anos antes da era cristã
(aC). A agricultura ainda não foi desenvolvida e a base de sustentação
era caça, pesca e colheita. A fase mesolítica estende até
7.000 ou 8.000 aC e a fase neolítica até 5.500 aC [13, 14, 15].
Nas fases posteriores pedras foram polidas e instrumentos mais complexos foram
desenvolvidos. A agricultura foi praticada a partir de cerca de 9.000 aC, envolvendo
o cultivo de grãos, legumes e outros produtos e a domesticação
de animais como cabras, carneiros e gados [16].
O cobre foi usado no Oriente Médio até 10.000 aC [17] e na Iugoslávia
até 4.000 aC. A tecnologia do bronze foi conhecida na Tailândia
até 4.500 aC, bem antes do que no Oriente Médio (3.100 aC), na
Creta até 3.000 aC e na China até 1.800 aC. A idade do ferro se
iniciou cerca de 1.200 aC quando instrumentos e armas de ferro começaram
substituir os feito de bronze [18]. O desenvolvimento das tecnologias do metal
para a fabricação de instrumentos e armas teve efeitos revolucionários
comparáveis aos da agricultura.
População humana
A população humana mundial nas idades arqueológicas, estimada nas Ref. [19, 20], está mostrada na Tabela 1 juntamente com a população mais recente e a projetada para o ano 2050. Há grandes incertezas nas estimativas para os tempos mais antigos.
Tabela 1. População mundial [19, 20]
| Ano |
População (milhão) |
| Antes da era cristã (aC) |
|
| 10.000 |
1 – 10 |
| 5.000 |
5 – 20 |
| 3.000 |
14 |
| 1.000 |
50 |
| Era cristão (dC) |
|
| 1 |
170 – 400 |
| 1000 |
254 – 300 |
| 1500 |
425 |
| 1800 |
813 – 907 |
| 1900 |
1.550 – 1.610 |
| 1960 |
3.039 |
| 2000 |
6.080 |
| 2050 (projeção) |
~9.000 |
Espécies do gênero homo ocupavam o continente Eurásia há mais de um milhão de anos atrás. A espécie homo sapiens evoluiu entre 100 e 200 mil anos atrás na África e migrou para o continente Eurásia, chegando à Austrália cerca de 60.000 anos atrás. A data e o modo de chegada às Américas estão sendo discutidos entre cientistas. A arqueologia mostra que as Américas estavam ocupadas 18.000 anos atrás, no final da última era de geleira quando o nível do mar era cerca de 125 m mais baixo do que o atual. O modo estipulado como mais provável desta migração é pela terra que existia entre a Sibéria e o Alaska [12].
Os ancestrais do homem continuaram a sua existência baseada
na caça, colheita e pesca durante centenas de milhares de anos, vivendo
em pequenos bandos, abrigados em cavernas, e explorando e povoando o mundo em
volta. A formação de comunidades maiores em locais fixos precisava
do desenvolvimento da agricultura, que ocorreu em torno de 9.000 aC na Mesopotâmia,
uma região em volta dos rios Tigre e Eufrates no Oriente Médio,
com terras formadas por sedimentos férteis trazidos pelos dois rios,
com abundante água que vêm das neves nas montanhas em volta. Diversas
comunidades surgiram e a primeira civilização reconhecida pela
ciência de hoje desenvolveu-se na Suméria, região baixa
dos rios. A arqueologia reconhece várias cidades datadas de 3100 aC [18,
21]. A civilização surgiu em outras regiões do mundo também,
como Egito, Creta (uma ilha na Grécia), China, e Vale do Indo (atual
Paquistão e parte oeste da Índia). No Egito a primeira dinastia
foi estabelecida até 3100 aC [22]. No Vale do Indo e em Creta houve civilizações
urbanas até 2500 aC e na China a primeira dinastia, Shang, foi estabelecida
até 1766 aC [23, 24].
A arqueologia mostra que os centros destas civilizações eram cidades
fortalecidas, indicando conflitos com outras comunidades em volta. A estratificação
social estava bem estabelecida, com classes de poder político e religioso
e de diversas profissões, simbolizada por palácios e templos e
pelas escritas, algumas das quais ainda não foram decifradas. As cinco
civilizações citadas não eram isoladas uma das outras.
Houve comércio entre elas, que aumentaram com o tempo. As cidades-estados
arqueológicas são símbolos das civilizações
históricas mas a existência humana não era limitada a elas.
Pelo contrário a maioria do povo vivia fora das cidades, como agricultores
e trabalhadores para a construção de monumentos e obras públicas.
No Oriente Médio, diversos povos de diferentes origens estavam espalhados
em outros locais da região chamada crescente fértil, que se estende
do golfo pérsico até o Mar Mediterrâneo: a Ref. [21] lista
oito povos somente na região da Mesopotâmia. Em outras regiões
do continente houve outros povos que invadiram, conquistaram ou influenciaram
as civilizações da Mesopotâmia.
Mesopotâmia [18]
A Suméria, parte sudeste do atual Iraque, era uma região
de brejos e pântanos, com terras férteis e água abundante,
bordada por montanhas no norte e leste e limitada por desertos no oeste e sul.
As terras para cidades e agricultura precisavam ser criadas nos brejos e pântanos
por diques e canais de drenagem e protegidas das enchentes anuais. Estes problemas
foram resolvidos até cerca de 3500 aC por esforços organizados
e foram criadas as fundações necessárias para a formação
de centros urbanos, especialização de profissão e evolução
de classes política e religiosa. Além da organização
social e criação de terras, dois fatores contribuíram ao
avanço da civilização: tecnologia de bronze e domesticação
de gados para trabalho no campo, que aumentaram a eficiência da agricultura
e possibilitaram a sua expansão.
Até 3100 aC cerca de uma dúzia de cidades-estados existiam na
Suméria. A origem deste povo não é conhecida com certeza
mas estima se que veio do leste. A língua do povo, preservada em tabletes
de argila, não é relacionada às línguas principais
que posteriormente apareceram na região, como a indo-européia
e semítica. Isto é, diversos povos existiam no continente, migrando
e interagindo um com outros. A arqueologia encontrou no Egito indicações
de influências culturais da Suméria desta época, tais como
veículo com roda, roda de oleiro, selos de cilindro e formas de arquitetura.
Uma das conseqüências da existência de diversos povos é
o conflito entre eles. Em torno de 2340 aC o povo na região Akkad ao
norte conquistou a região da Suméria e unificou uma grande área
da Mesopotâmia. Cerca de 2000 aC um outro povo conquistou a região
e estabeleceu um novo estado forte em volta da cidade de Babilônia [18].
A civilização centralizada na Babilônia permaneceu, apesar
de conflitos e mudanças do povo dominante, até o sexto século
aC. A fundação da dinastia Babilônica própria foi
no ano 1760 aC, quando Hammurabi assumiu o poder. Ele é conhecido pela
lei que ele estabeleceu, o código de Hammurabi. No ano 539 aC a Babilônia
foi conquistada pela Pérsia [25]. O Império Persiano permaneceu
até meados do sétimo século da era cristã (ano divino,
dC).
Egito [26]
Pesquisas arqueológicas mostram que o vale do Nilo estava
habitado até 11.000 aC. As terras férteis ao longo do Rio Nilo
e do delta na costa do Mar Mediterrâneo eram as bases da civilização
egípcia. Até 4.000 aC os povos em vilas neolíticas tinham
começado a construir dique e canais para controlar o Nilo para irrigação,
motivando a formação de líderes sociais, separação
de classes e integração das comunidades. Surgiram dois reinos
distintos: Egito Baixo no delta e Egito Alto ao longo do rio acima. Cada reino
conteve cerca de vinte distritos tribais que eram independentes antes da formação
dos reinos. Cerca de 3100 aC o rei do Egito Alto unificou os dois reinos e fundou
a primeira dinastia egípcia com o capital em Memphis. (A cronologia da
antiga Egito não é conhecida com certeza: por exemplo as datas
da unificação estimadas por especialistas variam mais de 1.000
anos.) Durante cerca de 900 anos, período chamado Reino Antigo, o Egito
manteve a prosperidade e estabilidade e pirâmides foram construídas
para garantir a vida eterna dos faraós.
Até cerca de 2.200 aC a sociedade estava exaurida e o poder do faraó
diminuído e, motivado também por falta de enchentes do Nilo, a
instabilidade social prevaleceu. Durante cerca de 150 anos continuou um estado
de guerra civil e conflitos entre estados feudais. Este período é
chamado primeiro período intermediário. Cerca de 2055 aC o país
foi unificado novamente, iniciando um período de estabilidade denominado
Reino Médio, que durou até 1800 aC.
Durante o segundo período intermediário, o delta foi invadido
e dominado por um povo semítico, promovendo nacionalismo agressivo. O
invasor foi expulso cerca de 1.570 aC e o Egito começou, por sua vez,
uma fase de invasão e expansão. A Dinastia Nova permaneceu até
cerca de 1.090 aC, quando iniciou um período de decadência que
durou até 332 aC. Durante este período padres e comerciantes fundaram
diversos estados independentes e houve invasão de povos vizinhos. O Egito
entrou sob domínio dos pérsios em 525 aC e dois séculos
depois Alexandre o Grande da Macedônia conquistou toda região.
A população do Egito durante o período de dinastias de
mais de 3.000 anos variou entre 1,5 e 6 milhões [27].
Vale do Indo [28, 29]
A civilização no vale do rio Indo, uma região
que cobre a atual Paquistão e uma parte oeste da Índia, é
a mais enigmática das civilizações antigas. A existência
desta civilização não foi conhecida até o início
do século vinte quando ruínas de duas cidades, Harappa e Mohenjodaro,
foram descobertas. Esta civilização não é mencionada
nas literaturas antigas da Índia, a escrita do vale do Indo ainda não
foi decifrada satisfatoriamente, e não há grandes monumentos ou
túmulos elaborados. Mas, por outro lado, foram encontradas mais de 1500
ruínas de antigas cidades bem planejadas e a extensão geográfica
desta civilização é o dobro da extensão das civilizações
na mesopotâmia e no Egito. Entre 2.800 e 2.600 aC a cidade de Harappa
tornou se um centro político, cultural e comercial e prosperou até
cerca de 1.900 aC com a população estimada de 40.000 a 80.000.
Descobertas arqueológicas na Mesopotâmia indicam que houve comércio
entre as duas civilizações. Uma outra característica especial
desta civilização é a aparente falta de elites sociais.
Além da falta de qualquer tipo de monumentos, não há nenhum
sinal de classes sociais, tais como palácios, templos e túmulos
com tesouros. A origem deste povo é desconhecida e a razão do
fim da civilização, aparentemente repentino, está sendo
discutida. As possibilidades incluem a desertificação da região
e a invasão do povo ariano.
Após o desaparecimento desta civilização no vale do Indo,
surgiram outras civilizações nas regiões mais ao norte
e a leste, dando origem à civilização na Índia que
permanece até hoje, apesar de invasões e mudança de dinastias
ao longo do tempo, inclusive o domínio pelo Império Pérsio
e por Alexandre o Grande [30, 31].
China
A arqueologia mostra que a China foi povoada desde antes do
surgimento do homo sapiens e que até 6.500 aC houve comunidades neolíticas
que praticavam a agricultura. Cerca de 1.700 aC foi fundada a dinastia de Shang
no norte da China, com a tecnologia do bronze e escrita, iniciando a idade de
bronze (alguns cientistas acreditam que houve outra dinastia anterior). Por
volta do ano 1.122 aC esta dinastia foi conquistada e foi fundada outra, dinastia
Chou, que praticou um sistema feudal com vassalos governando regiões
distantes. No sexto século aC foi desenvolvida a tecnologia do ferro.
O uso de arado de ferro, puxado por animais, e a irrigação em
grande escala aumentaram a produção agrícola e levaram
a um grande aumento da população. Em 771 aC a capital foi destruída
e o rei morto por uma aliança dos vassalos rebeldes. A dinastia permaneceu,
em menor escala, até 256 aC mas durante séculos continuou um estado
de conflito entre estados regionais. Até 221 aC um dos estados unificou
todos os estados e estabeleceu o império Chin.
O império Chin desintegrou após a morte do imperador e foi seguido
por outro, Han, em 202 aC. Este império expandiu o território
chinês até Manchúria no norte, Ásia Central no oeste,
Vietnã e sul da China no sul e Coréia no oeste e permaneceu até
220 dC.
Creta [32]
A civilização em Creta não é tratada
sempre como uma das primeiras civilizações mas teve fortes influências
para as civilizações ocidentais posteriores. Creta é uma
ilha estreita no sul da Grécia, com a extensão de 256 km, na parte
leste do Mar Mediterrâneo. A civilização da idade do bronze
nesta ilha foi descoberta na primeira década do século vinte e
a sua escrita (A linear) ainda não foi decifrada. Até 2000 aC
esta civilização, denominada minóica, era o centro de uma
civilização avançada em volta do Mar Egeu e do comércio
envolvendo Grécia continental, Ásia Menor, Oriente Médio
e Egito e prosperou até cerca de 1450 aC. O centro dela era o palácio
em Knossos.
Na Grécia continental desenvolveram se cidades-estados como Micenas e
Atenas, estabelecendo colônias na Ásia Menor. A Micenas conquistou
o palácio em Knossos cerca de 1450 aC e o centro da civilização
egéia mudou para a Grécia continental. A escrita da Micenas (B
linear) já foi decifrada, contribuindo ao conhecimento da historia. A
guerra troiana aconteceu cerca de 1250 aC. Cerca de 1200 aC esta civilização
foi invadida por gregos Indo-Europeus com a tecnologia de ferro e logo a Grécia
entrou em quatro séculos de Idade Escura (até 750 aC), perdendo
as características que marcaram a civilização miceniana,
tais como administração centralizada, comercio de grande escala,
artes sofisticadas, grandes arquiteturas e escrita. As sociedades desintegraram
em pequenos domínios. Pouco é conhecido desta idade.
De 750 a 500 aC desenvolveram se cidades-estados, chamadas polis, tais como
Atenas e Esparta, com diversas formas políticas, como democracia, e a
civilização grega prosperou nos próximos quinhentos anos
em arte, arquitetura, filosofia e outras áreas. Mas houve também
muitos conflitos como a guerra com a Pérsia, guerra entre aliados de
Atenas e de Esparta e a conquista por Alexandre o Grande. Em 31 aC a Grécia
foi dominada pelo Império Romano.
No início da era cristã a população mundial era algumas centenas de milhões, da ordem de 5% da atual, ocupando principalmente a Europa, Oriente Médio, norte da África, sul da Ásia e China. O Império Romano dominava a Europa. O Egito e a Mesopotâmia estavam sob domínio do Império Romano e do Persa, respectivamente.
Império Romano
A comunidade Romana já existia vários séculos e em 509 aC foi fundada a República Romana. O império Romano se iniciou em 23 aC quando o primeiro imperador, Augustus, foi proclamado. Nos próximos séculos o império expandiu, com o seu território estendendo da Inglaterra até a parte oeste do Oriente Médio, no norte até a atual Alemanha e em toda a volta do Mar Mediterrâneo, incluindo o Egito e norte da África. O Império Romano deixou fundações da civilização ocidental atual em diversos aspectos, como sistemas político-legais, arte, literatura, arquitetura e ciência. Apesar da prosperidade houve conflitos internos e externos e em 330 dC o Império foi dividido em duas partes, ocidental e oriental, com a fundação do capital oriental em Bizâncio, designado Constantinopla. O Império ocidental foi invadido por povos do norte e cessou de existir em 476, abrindo o caminho para a formação dos países independentes na Europa. O Império Bizantino, principalmente do povo grego, prosperou até 1453, quando foi conquistado por Turcos que fundaram o Império Otomano.
Império Persa [33]
A região do atual Irã foi povoada por tribos Arianas até cerca de 1500 aC. No meio do sexto século aC um rei persa conquistou a região, inclusive a Mesopotâmia, e estabeleceu o Império Pérsio. Durante as próximas décadas o império conquistou o Egito no oeste e estendeu seu território até o rio Indo ao leste. No quinto século aC houve revolta dos gregos e no quarto século o império foi conquistado por Alexandre o Grande durante cerca de dez anos. Após a morte do Alexandre a Pérsia ficou subjugada primeiramente à dinastia Seleucid e depois ao império Parthiano até 224 dC, quando um rei vassalo persiano rebelou-se contra o Parthiano e estabeleceu um novo império Pérsio. Houve séries de conflitos com a Índia, império Romano, império Bizantino e outros reinos mas o império Pérsio permaneceu até o sétimo século quando foi conquistado por Árabes.
Índia
Após o declínio da civilização
no vale do Indo, uma outra civilização prosperou na parte norte
da atual Índia relativamente pacificamente durante cerca de mil anos,
tendo dezesseis reinos por volta de 500 aC. Após a invasão por
Alexandre o Grande, a Índia foi unificada pela primeira vez na dinastia
Maurya que permaneceu cerca de 150 anos até 185 aC [30]. Após
a desintegração deste império a Índia passou um
longo período de instabilidade, com surgimentos e declínios de
diversas dinastias e invasões pelos Chineses (Hans). No final do século
doze os muçulmanos vieram do Oriente Médio e tomaram controle
do norte do subcontinente, criando dois reinos, um de hinduismo e outro de islamismo.
Desde o século 16 diversos poderes europeus estavam presentes na Índia,
como o inglês, o francês, o dinamarquês e o holandês.
Em 1803 a Inglaterra tomou controle do país e permaneceu como poder colonial
até o meio do século vinte [34].
China [35]
Após a desintegração da Dinastia Han em
220 dC, a China passou por um período de conflitos internos durante quase
quatro séculos. Em 589 dC o país foi reunificado na dinastia Sui,
seguido após 36 anos pela Tang que permaneceu até 907, apesar
de invasões, rebeliões internas e decadência. Após
um período de fragmentação uma nova dinastia Song unificou
o país em 960. Em 1279 os Mongóis conquistaram a China, estabelecendo
a dinastia Yuan que permaneceu até 1368. A próxima dinastia era
a Ming do Chinês Han. Houve conflitos com os Mongóis e os Japoneses
e em 1644 os Manchus tomaram controle do país e estabeleceu-se a dinastia
Qing que permaneceu até 1911, quando os chineses derrotaram o controle
dos Manchus.
A China é um dos países que mais sofreram pelo colonialismo dos
poderes ocidentais, como Portugal, Espanha, Inglaterra, França, Rússia
e Japão. A Inglaterra, especialmente, causou grandes sofrimentos pelo
comércio do ópio, guerra do ópio (1839-42) e a conseqüente
colonização que incluiu a transferência do controle de Hong
Kong, que foi devolvido finalmente em 1997. A população da China
no início do século 19 era da ordem de 300 milhões.
5. Revolução industrial, urbanização e aumento da população
Até o século 18 a Europa era basicamente rural
com somente cerca de duas dúzias de cidades com a população
maior que 100 mil no final do século. A revolução industrial
que começou no século 18 na Inglaterra e espalhou aos outros países
da Europa e aos Estados Unidos iniciou uma série de transformações
das sociedades que continuam até hoje, tais como a migração
da população rural aos centros urbanos, expansão do comércio,
colonialismo, surgimento da classe média, intenso consumo, abuso dos
recursos naturais, concentração de riqueza e aumento explosivo
da população. A revolução industrial foi um resultado
dos avanços na ciência e tecnologia que vinham sendo acumulados,
envolvendo diversos fatores marcantes como invenções nas áreas
de agricultura, tecelagem e engenharia mecânica, especialmente de motor
a vapor da água. A melhora de eficiência na agricultura liberou
uma parte da população, que procurou empregos nas novas indústrias
nos centros urbanos. As maiores produções na agricultura e na
indústria, juntamente com avanços na medicina e saneamento, possibilitaram
o aumento da população, que foi incentivado também como
o consumidor dos produtos industrializados. A população cresceu
rapidamente na Europa e, juntamente com a facilidade de transporte, causou migrações
interna e externa. O número de cidades européias com a população
maior que 100 mil aumentou para mais de 150 no final do século 19. A
migração externa era intensa, especialmente para os Estados Unidos,
mais de meio milhão por ano entre 1850 e 1914. A falha de safra na batata
na Irlanda nos anos de 1845 até 1850 causou mortes e incentivou a emigração
em grande escala.
Os avanços nas tecnologias de transporte (como navios motorizados e ferrovias)
e de armamento e a necessidade de recursos primários e do mercado para
os produtos intensificaram a colonização dos países menos
desenvolvidos e a competição entre os países colonizadores.
Houveram diversos conflitos de grande escala, como guerras na Europa no início
do século dezenove, na América do Norte no meio do século
e guerras mundiais no século vinte. Hoje a tecnologia de guerra inclui
mísseis que alcançam qualquer lugar do mundo em menos de uma hora
e bombas que matam milhões de pessoas em segundos ou minutos.
Até o fim do século dezenove a eletrificação e o
uso do motor à combustão interna foram introduzidos e no início
do século vinte começou a era de aviação. A população
mundial era um bilhão (1 B) no início do século 19, 2 B
no ano 1927, 3 B em 1960, 4 B em 1974, 5 B em 1987, 6 B em 1999 e é estimada
a chegar a 9 bilhões em 2050. A modificação da natureza
intensificou nas formas de construção de cidades, estradas, aeroportos,
represas para usinas elétricas, portos marítimos, diques e canais
para transporte e para o controle de enchentes, desmatamento, caça e
pesca não sustentável, emissão de poluentes, acúmulo
de lixos e compostos tóxicos e uma série de abusos da natureza
que hoje escurecem o futuro da civilização.
O capitalismo é a força motriz do atual sistema
econômico mundial e é o único sistema que continua funcionando
até hoje. A razão da sua prevalência é a concordância
do seu princípio básico com a natureza humana. O homem se esforça,
no lado positivo, para melhores condições de vida e, no lado mais
escuro, para a maior lucro possível, intenso consumo material e dominância
sobre outros, tanto individualmente quanto no nível organizacional ou
nacional. O fracasso do comunismo, apesar da sua beleza teórica, se deve
ao seu princípio baseado na idealização do homem, que ignora
o egoísmo e a gula inerente. Diversas falhas do capitalismo podem ser
percebidas e têm sido discutidas [36-38]. Porém, as situações
atuais indicam que o sistema permanecerá no futuro previsível.
A questão para a humanidade é de como compatibilizar este sistema
com a realização de uma civilização global eqüitativa
e sustentável. O atual intenso consumo material nos países industrializados
não pode ser continuado por muito tempo ou praticado pela população
mundial, apesar dos avanços da ciência e da tecnologia, como mostram
as diversas dificuldades e sintomas sumariados nas páginas deste Arquivo.
Para a continuação da civilização global, a única
solução possível é a redução da população
mundial e uma mudança fundamental no modo de vida para consumos sustentáveis.
A alternativa é a continuação da tendência atual
à polarização social e à deterioração
ambiental, com constantes conflitos sociais e internacionais, levando eventualmente
ao colapso do ecossistema e da civilização global. A história
e as situações atuais mostram a dificuldade de restrição
do consumo. Conseqüentemente, a única alternativa com alguma chance
de sucesso é a limitação da população. O
controle da natalidade é um assunto polêmico, tangendo à
filosofia fundamental de pessoas como dependência religiosa, conceito
de família e felicidade e, também, à política de
cada nação. Até recentemente todos os povos procriaram
ao máximo que as condições permitiram. Este modo de procriação
ainda continua na maioria dos países, com a fertilidade média
maior que quatro em mais de 50 países e maior que seis em 17 países
[39].
Em alguns países industrializados, como a Rússia, Itália,
Japão, Inglaterra e Austrália, a fertilidade é menor que
o nível de equilíbrio (~2,1) e a população está
começando a estabilizar ou diminuir. Na China está em vigor desde
1979 a política de um filho por casal, apesar da oposição
por parte da população. A fertilidade média diminuiu a
~1,83 mas a população continuará crescendo por algum tempo.
Esta política parece um extremo hoje mas é uma necessidade absoluta
do país com a maior população do mundo e mostra o que será
necessário mundialmente num futuro próximo, se continuar a tendência
atual. Uma outra maneira em que o controle é realizado está mostrada
nas histórias dos países industrializados. A industrialização
melhora o padrão de vida, promove a educação e oferece
variadas opções de lazer. A mortalidade infantil cai e a expectativa
de vida aumenta. A posição social de mulheres é alta, muitas
mulheres têm empregos, são profissionais autônomas, são
independentes financeiramente e planejam as suas carreiras e famílias.
São disponíveis diversas maneiras para o controle da fertilidade.
A sobrevivência dos filhos é garantida e um ou dois filhos podem
ser educados de melhor maneira possível sem prejudicar a carreira profissional
dos pais. Porém, este caminho é demorado e difícil. Hoje,
mais de 200 anos após a revolução industrial, poucos países
conseguiram se industrializar. A questão da população mundial
não pode esperar o desenvolvimento econômico e social da maioria
dos países.
Não há dificuldades tecnológicas ou financeiras para o
controle da fertilidade, se a comunidade global decide fazê-lo. Estão
disponíveis, de baixos custos, diversos materiais e operações
simples tanto para homens quanto para mulheres. Se for adotada uma política
de esterilização das pessoas que já têm um número
determinado de filhos, mundialmente cerca de 100 milhões de operações
por ano serão suficientes, após um período de transição
inicial. Supondo o valor de 100 dólares por operação, que
parece mais do que necessário, o custo total será 10 bilhões
de dólares (BD) por ano. O orçamento militar anual dos Estados
Unidos é da ordem de 380 BD, do Japão 50 BD e da China 17 BD [40-42].
O custo das operações é da ordem de somente 1% do total
dos gastos militares mundiais. A estabilidade da natalidade e a paz internacional
em conseqüência desta política diminuiriam o número
das operações necessárias e os gastos militares, liberando
o fundo para outros fins mais construtivos. Os avanços científicos
e tecnológicos podem ser direcionados para melhorar as condições
de vida de toda a população, em vez de produzir meios para eliminar
um ao outro. A expansão de cidades e de terras ocupadas para outros usos
pelo homem pode ser limitada. As áreas de risco para habitação
humana podem ser deixadas para a natureza. As florestas, os estuários
e outros ecossistemas essenciais para a biosfera podem ser preservados, garantindo
a continuação do meio ambiente natural para a civilização.
A água doce disponível será suficiente para toda a população
humana e para a natureza. Com consumos limitados, os refugos da vida humana
podem ser tratados e dispostos adequadamente. O desemprego e a fome podem ser
eliminados e reservas podem ser mantidas sempre para casos de desastres naturais
como secas.
Haverá oposições de diversos pontos de vista ideológica
e pelos capitalistas que perderão comércios lucrativos mas parece
que a limitação da população e a mudança
do modo de vida, isto é, do capitalismo, sejam a única maneira
para possibilitar a realização da civilização global
eqüitativa e sustentável.
A história da humanidade é repleta de conflitos,
desde antes das primeiras civilizações até hoje. A perspectiva
para o futuro parece ser a continuação desta tradição,
com meios mais eficientes e intensidades maiores de conflito. As lanças,
espadas, arcos e flechas foram substituídos por metralhadoras, bombas
e mísseis. Em lugar dos cavalos, “chariots” e trirremes há aviões
caça, tanques e navios de guerra. Há meios para destruir grandes
cidades e matar milhões de pessoas em segundos ou minutos. Apesar das
produções enormes, a maioria da população mundial
vive em condições precárias. Conflitos sociais e internacionais
continuam em diversas regiões do mundo. Além dos conflitos entre
as sociedades, há a deterioração dos sistemas da Terra
e das condições ambientais. Há um prospecto real de que
as condições naturais necessárias para a sobrevivência
da civilização global sejam perdidas, com perdas de vida humana
e sofrimentos numa escala sem precedente.
A ciência e a tecnologia oferecem uma possibilidade real de construir
uma civilização global eterna e vêm tentando manter um equilíbrio
precário entre as demandas crescentes, as capacidades de suprimento e
a preservação do meio ambiente. Porém, a população
cresceu sem controle até o máximo possível em cada instante
e impediu a melhora da vida da população mundial, sendo os benefícios
limitados a somente 20 a 30%, deixando a maioria numa vida de miséria
constante e de sofrimentos quando há pequenas oscilações
nas condições naturais como frios e secas. As possibilidades da
ciência e da tecnologia parecem sem fim mas o planeta Terra é limitado
e os sistemas da natureza são delicados, podendo ser perturbados pelas
atividades humanas. Recursos naturais são limitados e alguns estão
sendo utilizados em níveis não sustentáveis ou chegando
ao fim.
O homem tem agido até hoje como uma criança que não pensa
no futuro (ou como bactérias [43]) e, após um curto período
de existência, em comparação com os outros animais, está
destruindo o único lar. Diversos sintomas indicam que a população
atual já está além da capacidade da Terra. Para manter
a civilização global é necessário reduzir a população
e o consumo. Se o sucesso evolucional de uma espécie é medido
pelo número total de indivíduos que viveram, o sucesso de uma
comunidade com a população limitada que permanece eternamente
(por exemplo, 100 milhões de anos, como tartarugas) será maior
do que de outra que procria até a capacidade máxima do seu ecossistema
e cessa de existir após gastar todos os recursos em um curto período
de tempo (200 mil anos, como homo sapiens, ou 200 anos, como homem industrializado).
Uma outra solução seria como no livro The Lost World de Arthur
Conan Doyle, a eliminação por uma comunidade dos seus competidores.
A história e as situações recentes parecem indicar a probabilidade
desta solução. Pode ser percebida uma certa semelhança
entre a comunidade humana global composta de nações e raças
e a biosfera composta de espécies de animais de todos os níveis
formando a cadeia de alimento, com o homem no topo. Desde os tempos pré-históricos
as comunidades e as raças humanas tentaram aproveitar das outras ou até
eliminá-las. As espécies de hominídeos ancestrais do homo
sapiens desapareceram e substituídas por outras, sendo a última
o Neandertal que foi extinta cerca de 30 mil anos atrás, quando a presença
do homo sapiens já estava estabelecida, embora a causa desta extinção
não esteja conhecida. Diversos grandes animais foram, e estão
sendo, extintos pelo homem (Extinção de
espécies). As tribos e civilizações indígenas
das Américas foram praticamente eliminadas nos últimos séculos.
No futuro certas nações, raças ou até indivíduos
podem vir a dominar a comunidade humana, como o homem domina a biosfera, extinguindo
inúmeras espécies e se aproveitando das outras.
Num sistema fechado, em princípio, a fertilidade precisa ser de substituição.
Na natureza este princípio é mantido em todos os níveis
da cadeia de alimento, apesar de haver oscilações devido a variações
de condições ambientais, climáticas e outras e, também,
mudanças do estado de equilíbrio em escalas maiores de tempo por
razões como surgimento de novas espécies e movimento dos continentes.
As tartarugas por exemplo, para citar um caso bem conhecido, botam centenas
de ovos durante a vida mas somente um ou dois filhotes sobrevivem à maturidade
para continuar a sua existência. Como a regra básica, nenhuma espécie,
nenhum indivíduo, tem o direito (usando a palavra comum) de procriar
além do que suficiente para a continuação. A sociedade
humana, pelo contrário, tem incentivado a procriação em
níveis explosivos, perturbando o equilíbrio da natureza, extinguindo
uma grande parte da biosfera e arriscando o seu próprio futuro. A taxa
de sobrevivência de todas as espécies da cadeia de alimento, exceto
o homem, é baixa justamente para viabilizar a cadeia. Para o homem não
há espécie controladora acima e, independentemente das espécies
abaixo, a ciência e a tecnologia garantem o suprimento adequado de alimentos,
pelo menos até hoje. Como uma espécie nova o homem precisava,
com direito, procriar e aumentar a sua população mas, aparentemente,
já ultrapassou o nível sustentável no ecossistema global,
tanto no número quanto no modo de viver. Em vez de tentar acomodar as
conseqüências da procriação sem controle, a solução
mais simples e certa é adotar a regra básica da natureza que garantiu
a evolução e o equilíbrio da vida durante centenas de milhões
de anos. Na atual comunidade humana podem ser percebidos dois comportamentos
incompatíveis. De um lado, na maioria dos países, uma ilusão
idealista é mantida: o planejamento familiar é condenado, o aborto
é ilegal, a pena de morte é contra os direitos humanos, a procriação
ilimitada é uma benção e todos devem viver até o
máximo que a ciência e a tecnologia conseguem para mantê-los
vivos. De outro lado, a lei da selva mais primitiva prevalece no dia a dia:
cada nação, cada classe social, cada indivíduo reivindica
seus direitos e protege seus interesses, deixando os fracos e os azarados a
misérias e matando uns aos outros quando os interesses colidem. Milhões
de pessoas vivem em abjecta pobreza, sofrendo até a morte por fome, enquanto
a minoria mantém vidas de luxo e de intenso consumo.
O homem é a culminação da evolução da vida
neste planeta, é a única espécie que consegue olhar a Terra
de fora e entender o funcionamento do seu ecossistema e é dotado de uma
habilidade tecnológica incomparável. Os recentes avanços
da ciência e da tecnologia oferecem uma possibilidade real de construir
uma civilização global utópica. Porém, a humanidade
como uma comunidade ainda não reconhece os limites da Terra e a necessidade
de uma coexistência, tanto entre si quanto com a natureza, cada um insistindo
em satisfazer as suas vontades, e está agindo como um cego caminhando
em direção a um precipício.
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